CULTIVANDO MACONHA PARA SALVAR VIDAS

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Enquanto as autoridades brasileiras discutem se permitem ou não o plantio da maconha no País para fins medicinais, a produção de remédios extraídos da planta já está acontecendo na Paraíba, mesmo de forma clandestina. Sem esperar pelas decisões oficiais, mediante a dificuldade de custear o tratamento importado, único permitido até o momento, mais de 150 paraibanos se organizaram e decidiram assumir o risco da ilegalidade para salvar filhos e outros parentes, que sucumbem a graves doenças. Ao mesmo tempo, estão esperançosos de conseguir na Justiça a legalização da produção, o que colocaria a Paraíba, mais uma vez, na vanguarda das ações pelo uso da maconha medicinal.

A produção paraibana de remédios à base de canabinoides acontece em uma casa, na 4Capital, onde será construída a sede da associação, fundada por familiares de pessoas com epilepsia de difícil controle, que compravam os medicamentos nos Estados Unidos. Um cômodo foi climatizado para o cultivo das mudas de maconha usadas na produção. Outro foi destinado à administração. O laboratório funciona na cozinha, onde também ficam armazenados os frascos com o óleo.

A sala é o ambiente de reunião dos associados e, ao lado da grande mesa de madeira, um mural com 70 fotos dos pacientes envolvidos no que chamam de ‘ensaio de remédios de maconha’ dá a ideia do tamanho da procura pela produção local e de baixo custo.

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“CRESCI SOFRENDO COM MEU IRMÃO EPILÉTICO E NÃO TINHA REMÉDIOS QUE RESOLVESSE. COMEÇAMOS A LUTAR PELO CBD DESDE QUE SOUBEMOS QUE ERA A ÚNICA COISA QUE DAVA RESULTADO. CONSEGUIMOS O DIREITO DE IMPORTAR O CBD E O THC, MAS O CUSTO É MUITO ALTO. FOMOS ATRÁS DO PRODUTO NACIONAL E ENCONTRAMOS. PEDIMOS À ANVISA O DIREITO DE CULTIVAR, PESQUISAR E TAMBÉM PRODUZIR, MAS NOS FOI NEGADO. COM APOIO DE ALGUNS PESQUISADORES, COMEÇAMOS A PRODUZIR, MESMO ASSIM”. NÃO PODE SE IDENTIFICAR, UM DOS RESPONSÁVEIS PELA ASSOCIAÇÃO.

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Para quem precisa. A dona de casa Joelma Farias tem um filho com síndrome de West. O menino já tinha tomado mais de dez medicamentos e só apresentou melhora depois que começou a usar o CBD.2

“Estamos entre as famílias que conseguiram na Justiça o direito de importar esse remédio, que era proibido no Brasil e a importação era considerada tráfico. O problema é que cada paciente precisa de algo em torno de  R$ 2,5 mil para o tratamento. Por isso estou alternando, importado um e pegando dois aqui na associação. Se não fosse essa ajuda teria que interromper o tratamento, justo no momento em que estou vendo os maiores avanços do meu filho”, disse.

Buscando regularização. O acesso ao remédio paraibano é gratuito, desde que os pacientes estejam devidamente cadastrados. Os familiares contribuem apenas com a c3788b1fbe679024e5bd0e283366b227manutenção da entidade. “Estamos fazendo um trabalho muito criterioso porque, ao mesmo tempo em que produzimos, estamos acionando a Justiça em busca da regularização. Por isso, exigimos dos pacientes todos os documentos que comprovem prescrição médica para uso do CBD, diagnóstico e laudo médico, termo de responsabilidade assinado pelos pais, concordando em participar da pesquisa e outros documentos”, disse um dos responsáveis.

segundo site   http://correiodaparaiba.com.br/cidades/saude-cidades/eles-cultivam-maconha-para-salvar-vidas/

 

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